Oprah Winfrey não apenas tuitou em abril de 2009. Ela sinalizou uma mudança. Antes disso, as redes sociais pareciam um nicho para geeks de tecnologia. Depois disso, mudou-se para salas de estar. De repente, todos tinham uma página no Facebook. Ou uma conta no Twitter. Ou um perfil do LinkedIn.

Atualizamos perfis obsessivamente. Verificamos atualizações de status. É divertido. Isso nos ajuda a manter contato. Mas é perigoso? Você pode realmente se tornar viciado em redes sociais?

A resposta não é simples. O conceito de rede social não é novo. Ela existe desde que os humanos existiram. Uma rede social é simplesmente a estrutura de relacionamentos entre indivíduos. Você faz parte de uma rede global gigante. Mas você também pertence a sub-redes menores.

Pense na sua vida. Você tem uma rede no trabalho. Você tem um no parque para cães. Você tem outro com amigos da faculdade. Talvez um clube do livro nas noites de terça-feira. Esses grupos se sobrepõem. Os contatos se multiplicam à medida que você conhece novas pessoas por meio das já existentes.

Como as plataformas online mapeiam relacionamentos

Os sites de redes sociais evoluíram a partir dessas interações face a face. Os sites online são poderosos. Eles aproveitam a força da Internet para gerenciar e mapear relacionamentos. Você pode ver fisicamente sua rede. Você vê seus amigos. Você vê os amigos deles. Você vê como você se conecta com todos eles.

Esses sites permitem que as pessoas gerenciem relacionamentos existentes. Eles também ajudam a encontrar novos. Algumas comunidades têm como alvo profissionais. O LinkedIn se encaixa aqui. Outros têm como alvo hobbies específicos. Ravelry atende a comunidade de crochê e tricô. Sites de interesse geral como Facebook ou MySpace permitem que os usuários formem comunidades menores dentro da plataforma maior.

Depois de ingressar, você poderá passar muito tempo lá. É apenas divertido? Ou é viciante?

O vício em Internet é um verdadeiro distúrbio médico?

As crianças de hoje passam um tempo significativo em frente às telas digitais. Um estudo de 2007 do Centro Escolar Annenberg para o Futuro Digital da Universidade do Sul da Califórnia revelou que quase metade de todos os pais acreditava que os seus filhos passavam demasiado tempo a ver televisão. Vinte e sete por cento sentiram que seus filhos passavam muito tempo online.

Uma preocupação de 20% parece baixa. Mas os riscos são reais. Em 2005, um jovem sul-coreano desmaiou e morreu após jogar online por 50 horas com poucos intervalos. As autoridades fundaram “Escolas de Resgate na Internet” para afastar as crianças dos computadores. O objetivo era atividade física e convívio com outras crianças.

As crianças não são as únicas em risco. Em 2008, o American Journal of Psychiatry publicou um editorial apoiando a denominação do “vício em Internet” como uma condição mental genuína. A maioria da comunidade médica discordou. Atualmente, não é um distúrbio formal.

O uso excessivo da Internet certamente pode causar problemas. Muitos centros de tratamento e reabilitação em todo o mundo oferecem agora serviços para o vício em internet. Isso inclui tratamento para pornografia cibernética, jogos de azar online, assuntos online e vício em eBay. Esses comportamentos têm consequências graves.

A marca registrada do vício é determinar se suas ações afetam você ou outras pessoas de maneira negativa.

Então, sair no Facebook é diferente de falar ao telefone por horas ou conversar com seus amigos tomando café?

Não se você estiver passando um tempo normal lá. O usuário americano médio da Internet passa cerca de 15 horas online por mês. Se você está lendo este artigo, provavelmente você está na média. Parabéns.

Sinais de uso problemático de mídia social

Passar muito tempo online pode prejudicar relacionamentos. Pode prejudicar a saúde. Os especialistas afirmam que a falta de contato face a face afeta você social e fisicamente. Depender da tela do computador para a interação humana pode prejudicar a capacidade de seguir sinais sociais. Você pode não conseguir entender a linguagem corporal.

Alguns pesquisadores acreditam que somos geneticamente predispostos a nos beneficiar fisicamente por estarmos cara a cara com outro ser humano. Existe até um teste online que você pode fazer para ver se o tempo que você passa online pode ser um problema. A menos que você seja viciado em testes online.

Se você pertence a uma rede social, já percebeu como esses sites podem ser viciantes. O que nos obriga a continuar logando?

Por que as mães que ficam em casa são vulneráveis ao envolvimento online

As mães que ficam em casa (SAHMs) são um novo grupo de viciados em internet. Blogs e sites de redes sociais fornecem interatividade e conexão. Essas coisas são difíceis de encontrar ao criar um bebê.

As mães de primeira viagem às vezes se sentem isoladas e sozinhas. Ficar online para compartilhar sentimentos e conselhos pode ser terapêutico. A famosa “mamãe blogueira” Heather Armstrong dá crédito aos leitores de seu blog por ajudá-la a lidar com a depressão pós-parto.

No entanto, alguns SAHMs recorrem à Internet para evitar dificuldades do dia a dia. Depois que a vida real fica em segundo plano em relação à vida online, é hora de fechar o laptop. O mundo digital oferece fuga. Mas não substitui o físico. E eventualmente, a tela escurece.

A mecânica da captura digital

É um produto. Essa é a verdade fundamental. Cada vez que você rola a página, você é a mercadoria vendida aos anunciantes. Mais olhos na página significam mais inventário de anúncios. Mais estoque significa mais dinheiro para a controladora. Isto não é uma conspiração. É economia básica. Mas a execução requer psicologia.

Os desenvolvedores de plataformas sociais não criam apenas recursos. Eles projetam ganchos. Eles estudam o comportamento humano até encontrarem a alavanca exata que, quando puxada, faz você clicar.

Atualizações de status e ciclo de feedback

Considere a atualização de status. É uma coisa pequena. Algumas palavras. “O café estava terrível.” “Passeando com o cachorro.” “Pensando em você.” Mas o mecanismo por trás disso é complexo. Você posta. Você espera. O site envia um e-mail para você. Ou uma notificação push. Ou um distintivo vermelho.

Este é o ciclo.

Você verifica a foto do seu amigo. Você comenta. O sistema avisa que alguém respondeu. Agora você tem que verificar novamente. Você carrega uma foto do seu cachorro. Você quer validação. Você entende. A dose de dopamina é imediata. O ciclo se repete. Dezenas de vezes por dia.

Conectividade móvel e presença constante

O iPhone e o BlackBerry mudaram o jogo. Antes desses dispositivos, você tinha que sentar em uma mesa. Você tinha que estar parado. Agora, a rede está no seu bolso. Os dados se movem rapidamente. A conexão está sempre lá.

Os aplicativos foram criados especificamente para essas telas. O login leva segundos. Não há atrito. Você nunca está desconectado. Esse tethering constante amplifica a qualidade viciante da plataforma. Explora nosso medo primordial de perder. Nosso desejo de ficar por dentro.

O fator narcisismo

Por que isso funciona? Narcisismo. É direto. É feio. Mas é verdade.

Quando você posta um pensamento, uma foto, um vídeo, você está transmitindo sua personalidade. Você está pedindo uma resposta. Você está construindo uma comitiva. É sedutor ter pessoas aplaudindo sua existência. Mesmo que eles estejam apenas clicando no botão “curtir”.

Pesquisadores da Universidade da Geórgia provaram isso em 2008. Eles analisaram os usuários do Facebook. Eles encontraram uma correlação direta. Quanto mais amigos você tivesse. Quanto mais postagens no mural você fez. Quanto mais narcisista você era. Esses usuários não estavam se conectando. Eles estavam se apresentando.

Voyeurismo e sinalização de status

Mas não se trata apenas de você. É sobre todos os outros. As redes sociais são ferramentas voyeurísticas. Você pode escutar. Você pode assistir o desenrolar da vida do seu ex em tempo real. Você pode ler os argumentos. Você pode ver as festas. É como ser uma mosca na parede. É divertido.

Depois, há o status. A lista de amigos. O número de seguidores. Estas são métricas públicas. Eles são prova social. Quantas pessoas você conhece que ficam obcecadas em aumentar sua lista? Trabalhamos duro na vida real para subir a escada. Nós conversamos. Nós fazemos networking. Nós suamos.

On-line? Você apenas senta no sofá. Você clicou em “seguir”. Você obtém o mesmo impulso. Nenhum esforço. Apenas dados.

A hierarquia da atenção

No início de 2009, o cenário estava claro. Compete.com rastreou o tráfego. Os vencedores eram óbvios.

  1. Facebook : 1,19 bilhão de visitantes mensais.
  2. MySpace : 810 milhões de visitantes mensais.
  3. Twitter : 54 milhões de visitantes mensais.
  4. Flixster : 53 milhões de visitantes mensais.
  5. LinkedIn : 42 milhões de visitantes mensais.

Esses números não eram apenas estatísticas. Eles eram uma prova de conceito. As pessoas estavam ficando. Eles estavam voltando. Eles eram viciados.

Os jogadores menores seguiram. Marcado. Classmates. com. MyYearbook. com. Jornal ao vivo. Imeem. com. Cada um cortando uma fatia da mesma torta. Cada um usando os mesmos ganchos. A mesma psicologia. O mesmo desenho.

Achamos que estamos no controle. Achamos que estamos apenas fazendo check-in. Mas o sistema foi projetado para nos manter lá. A questão não é se voltaremos. A questão é quanto tempo poderemos resistir.

O custo oculto do feed

Você rola. Você clica. Você se pergunta por que ainda está acordado às 2 da manhã

Não é apenas má força de vontade. A arquitetura dessas plataformas é construída para explorá-lo. Tratamos as redes sociais como um serviço público – água, electricidade – mas os dados sugerem algo mais obscuro. Um relatório da BBC de 2009 sinalizou o networking online como um potencial dano à saúde, ligando o uso excessivo a uma tensão psicológica tangível. Nem sempre foi tão claro. Mas à medida que a pegada digital crescia, também cresciam os alarmes.

Por que não podemos desviar o olhar

O narcisismo nem sempre foi o vilão. Agora é o motor.

Uma pesquisa publicada no LiveScience indicou que os perfis do Facebook muitas vezes revelam traços de narcisismo. Não é necessariamente ruim para a postagem individual, mas muda a dinâmica de toda a rede. Estamos fazendo a curadoria de exposições nossas. E estamos assistindo as exposições uns dos outros.

“Amizade Virtual e o Novo Narcisismo” — Christine Rosen

O impulso para conectar é primordial. Rick Kirschner perguntou em 2008 por que temos uma necessidade tão desesperada de conexão humana. A internet não criou essa necessidade. Apenas proporcionou um pipeline de alta largura de banda. Nicole Ellison e seus colegas descobriram que estudantes universitários usam esses sites para construir capital social. É uma transação. Você posta. Eles gostam. Você se sente válido. O ciclo se repete.

Mas onde isso para?

O espectro do vício

Denise Caruso, do Salon, descobriu por que o Facebook parece tão viciante. É o cronograma de recompensa variável. Você não sabe se receberá um comentário. Você verifica novamente. Você verifica novamente.

Elizabeth Cohen, da CNN, listou cinco pistas de que você pode estar fisgado. Número um? Verificando seu perfil logo pela manhã. Número cinco? Ficar ansioso quando não consegue acessá-lo.

Não são apenas os jovens. Rachel Mosteller observou em 2009 que as mães eram particularmente propensas ao vício em internet, usando-a como uma tábua de salvação no isolamento da parentalidade. A demografia não importa. O gancho sim.

E para alguns, o gancho puxa com força suficiente para quebrar a realidade.

Quando o jogo se torna mortal

Não se trata apenas do Facebook. É uma questão de imersão.

Em 2005, um sul-coreano morreu após uma longa sessão de jogo. O corpo cedeu. A internet não se importou. Este não foi um incidente isolado. Foi um sintoma de uma sociedade onde o mundo virtual tinha um peso mais imediato do que a sobrevivência física.

Martin Fackler relatou sobre uma cura de “campo de treinamento” para essa obsessão pela web na Coréia. Eles não apenas disseram às pessoas para desligarem. Eles os forçaram a enfrentar o tédio. Para sentar com seus próprios pensamentos. Parece duro. Pode ser necessário.

Quem é o dono da sua atenção?

No início de 2009, as linhas de batalha estavam traçadas. Andy Kazeniac, do Compete.com, relatou que o Facebook assumiu o primeiro lugar, empurrando o MySpace para baixo e o Twitter subindo. A hierarquia de atenção estava mudando em tempo real.

O Centro para o Futuro Digital realizou pesquisas anuais mostrando uma mudança na forma como os adultos viam os benefícios e as consequências do acesso online das crianças. Queríamos que nossos filhos estivessem conectados. Não sabíamos o que eles iriam encontrar.

Dave Roos explicou como as redes sociais funcionam a nível estrutural. É sobre nós e arestas. Mas você não precisa de um diploma em teoria dos grafos para ver a armadilha. Quanto mais nós você tiver, mais ruído você ouvirá. Quanto mais barulho, mais você verifica para garantir que não está perdendo nada.

Christopher Lane perguntou em Psychology Today : O uso excessivo da Internet deveria se tornar um transtorno mental? Se isso atrapalhar sua vida. Se isso prejudicar sua saúde. Se você morrer por causa disso.

O dilema do curador

Brian Solis falou sobre “voyeurismo cultural”. Assistimos vidas que nunca viveremos. Comparamos nossas filmagens de bastidores com os destaques de todos os outros.

Mark Glaser forneceu um guia para redes sociais, mas o guia pressupõe que você está no controle. A maioria não é.

Lev Grossman nos chamou de “hiperconectados”. Há uma diferença entre conectado e presente.

Estamos construindo uma infraestrutura digital que reflete a nossa infraestrutura física. Mas falta gravidade. Falta consequência. Você pode excluir uma postagem. Você não pode excluir um hábito.

O resultado final

As fontes de 2009 parecem desatualizadas. As plataformas mudaram. O Twitter agora é X. O Facebook ainda é o Facebook. MySpace é uma cidade fantasma.

Mas o comportamento?

É a mesma coisa.

Continuamos voltando. Não porque precisamos. Mas porque a alternativa – ficar sozinho com sua própria mente – está começando a parecer o verdadeiro vício.

A tela fica preta. O reflexo olha de volta.

Que é aquele?